# Split Payment na Reforma: o Que Muda Para Quem Fatura como PJ Digital em 2027 Publicado em 2026-08-25 · Por Equipe Contabilin Se você fatura como PJ no digital — infoproduto, coprodução, agência ou desenvolvimento — 2027 é o ano em que a Reforma Tributária deixa de ser assunto de live e passa a mexer no seu fluxo de caixa. Dois pontos concentram a maior parte das dúvidas: o **split payment** (o recolhimento automático do imposto na hora do pagamento) e o **repasse de créditos** para quem contrata seus serviços. Abaixo, o que já dá para afirmar e o que ainda depende de regulamentação. ## O que começa em 2027 2027 é o primeiro ano da transição para o novo modelo. Entram em cena a **CBS** (federal, que substitui PIS e Cofins) e uma alíquota-teste do **IBS** (estadual e municipal, que no futuro substitui ICMS e ISS). A CBS passa a valer com alíquota cheia e o PIS/Cofins é extinto; o IBS entra devagar, com percentual simbólico, e cresce ano a ano até 2033. Para quem está no **Simples Nacional**, a lógica muda menos do que para o Lucro Presumido — mas não é "nada muda". Você continua podendo recolher tudo dentro do DAS, na guia unificada, e é justamente aí que mora a decisão estratégica de 2027. ## Split payment: o imposto sai na hora do pagamento O split payment é a grande novidade operacional. Na prática, quando o cliente pagar a sua nota, o sistema de pagamento (adquirente, banco ou plataforma) separa automaticamente a parcela referente a CBS/IBS e recolhe direto para o Fisco. Você recebe o valor já líquido do tributo. Isso muda o jogo do fluxo de caixa. Hoje você recebe o valor cheio e paga o imposto depois, no dia 20 do mês seguinte. Com o split, o dinheiro do imposto **nunca passa pela sua conta**. Para quem se acostumou a usar aquele intervalo como capital de giro, é uma mudança de comportamento — não de custo, mas de timing. Um ponto importante e ainda em regulamentação: **a forma como o split se aplica ao Simples Nacional depende de escolhas do contribuinte**. Quem opta por recolher CBS/IBS por dentro do DAS tende a ter uma dinâmica diferente de quem opta pelo recolhimento por fora. Não dá para cravar um percentual único aqui — depende do seu anexo, do seu Fator R e da opção que você fizer. É exatamente o tipo de simulação que vale rodar caso a caso. ## Repasse de créditos: por que seu cliente PJ vai perguntar Esse é o ponto que mais afeta quem vende B2B — agências e devs que faturam para outras empresas. No novo modelo, CBS e IBS são **não cumulativos**: quem compra um serviço gera crédito e abate do imposto que ele mesmo deve. O detalhe: uma empresa no Simples Nacional que recolhe tudo pelo DAS, na regra geral, **transfere um crédito limitado** ao cliente — em geral restrito ao valor que efetivamente compôs o tributo dentro do Simples, não a alíquota cheia de CBS/IBS. Ou seja, o cliente no Lucro Real ou Presumido que contrata você pode aproveitar **menos crédito** do que aproveitaria contratando um fornecedor de regime normal. Traduzindo para o comercial: um cliente grande pode passar a preferir fornecedores fora do Simples, ou pedir desconto para compensar o crédito menor. Se a sua carteira é majoritariamente B2B, isso precisa entrar na conta agora. ### Um exemplo simples - Você (agência no Simples) presta um serviço de **R$ 10.000** para uma empresa no Lucro Real. - Se você estivesse no regime normal, ela poderia tomar o crédito cheio de CBS/IBS embutido na nota. - Estando no Simples e recolhendo por dentro do DAS, o crédito repassado tende a ser **bem menor** — o quanto exatamente depende da regulamentação e da sua composição de alíquota. Para quem vende B2C — o infoprodutor que vende curso para pessoa física — esse ponto praticamente não pesa: consumidor final não toma crédito. Aí o Simples segue muito competitivo. ## O que fazer ainda em 2026 Não há motivo para pânico, mas há motivo para planejar. Três movimentos valem a pena: - **Mapeie sua carteira:** quanto do seu faturamento é B2B (gera discussão de crédito) e quanto é B2C (não gera). Isso define o tamanho do seu problema. - **Revise seu enquadramento:** o Fator R continua sendo a alavanca que joga serviços do Anexo V para o Anexo III, com alíquota bem menor. Vale conferir no [simulador de Fator R](https://contabilin.com.br/ferramentas/fator-r/) se você está aproveitando os 28% de folha. - **Simule os cenários:** compare a carga atual no [simulador do Simples Nacional](https://contabilin.com.br/ferramentas/simples-nacional/) e confira como seu serviço se encaixa na nova lógica de tributação na [consulta da Reforma Tributária](https://contabilin.com.br/ferramentas/reforma-tributaria/), que cruza NBS, LC 116 e CNAE. A pergunta central que a Reforma coloca para o mercado digital não é "vou pagar mais?", e sim **"o Simples ainda é o melhor regime para o meu tipo de cliente?"**. Para quem vende direto ao consumidor, quase sempre a resposta continua sendo sim. Para quem depende de contratos B2B com grandes empresas, a conta merece uma revisão honesta antes de 2027 chegar. ## Fale com a Contabilin Cada operação digital tem uma composição diferente de clientes, anexos e margem — e é isso que decide se a Reforma trabalha a seu favor ou contra. Se você quer entender o impacto real no seu CNPJ antes de 2027, fala com a gente no WhatsApp **(47) 98916-5863**. A gente roda a simulação com os seus números e monta o plano de transição junto. ### 🔧 Ferramentas gratuitas que ajudam aqui - [Consulta da Reforma Tributária (IBS/CBS · NBS × LC 116 × CNAE)](https://contabilin.com.br/ferramentas/reforma-tributaria/) - [Simulador de Fator R (Anexo III × Anexo V · CLT vs PJ)](https://contabilin.com.br/ferramentas/fator-r/) - [Simulador do Simples Nacional (DAS por faixa de faturamento)](https://contabilin.com.br/ferramentas/simples-nacional/) ### 📚 Leia também - [Simples Nacional e a Reforma Tributária: O Impacto na Margem em 2027](https://contabilin.com.br/blog/simples-nacional-e-a-reforma-tributaria-o-impacto-na-margem-em-2027-mrdeap49bic3hjstwt/) - [Reforma Tributária e a Nova NF-e: Preparando sua Operação Digital para Agosto](https://contabilin.com.br/blog/reforma-tributaria-e-a-nova-nf-e-preparando-sua-operacao-digital-para-agosto-mrajf097jbnsje9jzu/) - [Reforma Tributária: Como Proteger seu Lucro Líquido no Mercado Digital](https://contabilin.com.br/blog/reforma-tributaria-como-proteger-seu-lucro-liquido-no-mercado-digital-mqz0unfiu0u0jsnn18/) Este conteúdo é informativo e educativo e não substitui a análise de um contador para o seu caso concreto. As regras da Reforma Tributária ainda estão em regulamentação e podem sofrer alterações. Fonte: https://contabilin.com.br/blog/split-payment-na-reforma-o-que-muda-para-quem-fatura-como-pj-digital-em-2027-mt8k0unh7iw37gmh9u/